Os Garimpeiros
As jóias são realmente lindas, tanto as pequenas como as mais chamativas. Delicadas, exóticas, brilhantes, discretas. Todas elas nos chamam a atenção, desde que sejam verdadeiras. As imitações sempre carregam consigo aquele “ar de falsidade”, mesmo que muitas vezes sejamos apenas nós que saibamos sua real procedência.
Quando procuramos jóias, onde vamos? Na loja adequada, é claro. É lá que as belas se encontram, em vitrines de vidro blindadas, com anúncios discretos, pois o real brilho da peça ofusca qualquer tipo de propaganda.
Por sorte que as pessoas não são jóias, embora, muitas vezes nós carinhosamente apelidamos de “jóias” os irmãos e irmãs de jornada que, se tornam de alguma forma, especiais.
As pessoas já são deliciosamente mais complicadas do que as jóias. Não há fórmula para o ser humano, não existem duas pessoas completamente iguais, não há código que não mude. Na mais perfeita tentativa, temos o código genético e mesmo ele, está sendo descoberto com o passar dos anos, nada empiricamente definitivo. Estamos em constante transformação e não há estigma, preconceito, tradição ou estereótipo que refute isso. O fato aqui é que estamos nos transformando e que, embora desejássemos às vezes, não somos perfeitos e imutáveis como as jóias.
Um diamante bruto, no máximo. E jóia que se encontra na mina de diamantes, ainda! No fundo, cada um conhece a profundidade e o caminho do seu garimpo interior.
Ao nos relacionarmos, estamos entrando em uma aventura nova, que se renova a cada instante, escolhendo, quando podemos, as regras e os lugares a serem explorados. Colocamos nossa roupa adequada, um capacete para proteção e vamos em busca das nossas jóias, não no shopping, mas na mina ou no garimpo.
Descobrimos então, como uma surpresa repetida, que as pessoas não são jóias como as das vitrines blindadas! Elas não são perfeitas, são “brutas”, variadas, elas mudam e nem sempre brilham. E mais, somos nós que a atribuímos seu verdadeiro valor... Ficamos contentes! Depois pensamos um pouco mais e, num momento egoísta, nos entristecemos. Afinal de contas, terei que dar uma de garimpeiro para encontrar essa jóia? Não posso simplesmente ir à loja mais próxima?
É hora de entrar nas minas de ouro e diamante, se preparar e ir em busca das nossas preciosidades. De entrar nos garimpos escuros, com capacete e uma lanterninha na mão. A troca é trabalhosa e gratificante, somos nós, somente, que damos essa proporção. Deixar as minas abertas, com a devida vigilância, é igualmente importante.
...
“Desconfie dos homens de promessas fáceis.” (Cardeal Mazarin) .
“Renda-se como eu me rendi, mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento”. (Clarice Lispector).
“Por educação eu perdi minha vida.” (Arthur Rimbaud).
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
E você, já agradeceu ao seu Anjo ou "Anja" hoje?
Anjos da Terra
Dedicado a todos os "anjos" que estão por aí e que pouco notamos.
Uma morena da pele clara, lábios delicados e marcantes, olhos piedosos. Ela fala com um jeito manso, quando não está nos seus dias de desacordo com a Terra, é claro. Ela é doce e fala pouco. Gerando até desconfiança de quem não está acostumado a conviver com o silêncio. São muitas as qualidades, mas existe uma em especial: Não vejo a anja fazer fofoca. Nem nos encontros com os amigos, churrascos, passeios... Pra não dizer que nunca a vi praticando tal vício, de vez em quando, pra concordar com os anseios de confirmação dos outros, ela confirma. Mas só quando a pessoa necessita do seu posicionamento para se sentir melhor. É como se os assuntinhos fúteis não lhe incomodassem ou despertassem interesse. Minha anja também, nunca foi muito chegada em tecnologia. Apesar de ser um despautério viver “temporariamente no planeta” sem usar e-mail , quando ela se nega a aprender ou comete uma gafezinha virtual qualquer, é um gesto charmoso e delicado. Ninguém critica, ela pode. Lá de onde ela vem deve ser assim, pensamos nós. Ela tem a virtude de um anjo, mas vive conosco, disfarçada de mortal. Ela trabalha sem parar, equilibra a vida das pessoas que ama, das quais ela própria fez questão de unir. Como anja que é, carrega consigo luz divina, basta permanecer alguns minutos perto dela e já nos sentimos um pouco anjo também. Ah, ela também não sabe que é um anjo! Acha que está apenas cumprindo a sua missão de voluntária, amiga e mulher.
Dedicado a todos os "anjos" que estão por aí e que pouco notamos.
Uma morena da pele clara, lábios delicados e marcantes, olhos piedosos. Ela fala com um jeito manso, quando não está nos seus dias de desacordo com a Terra, é claro. Ela é doce e fala pouco. Gerando até desconfiança de quem não está acostumado a conviver com o silêncio. São muitas as qualidades, mas existe uma em especial: Não vejo a anja fazer fofoca. Nem nos encontros com os amigos, churrascos, passeios... Pra não dizer que nunca a vi praticando tal vício, de vez em quando, pra concordar com os anseios de confirmação dos outros, ela confirma. Mas só quando a pessoa necessita do seu posicionamento para se sentir melhor. É como se os assuntinhos fúteis não lhe incomodassem ou despertassem interesse. Minha anja também, nunca foi muito chegada em tecnologia. Apesar de ser um despautério viver “temporariamente no planeta” sem usar e-mail , quando ela se nega a aprender ou comete uma gafezinha virtual qualquer, é um gesto charmoso e delicado. Ninguém critica, ela pode. Lá de onde ela vem deve ser assim, pensamos nós. Ela tem a virtude de um anjo, mas vive conosco, disfarçada de mortal. Ela trabalha sem parar, equilibra a vida das pessoas que ama, das quais ela própria fez questão de unir. Como anja que é, carrega consigo luz divina, basta permanecer alguns minutos perto dela e já nos sentimos um pouco anjo também. Ah, ela também não sabe que é um anjo! Acha que está apenas cumprindo a sua missão de voluntária, amiga e mulher.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Clarice Lispector, muito além das frases de efeito dos sites de relacionamento.

Ando lendo os romances da Clarice. Ela é maravilhosa. Um exemplo de determinação, além de possuir uma arte única. Seus romances são introspectivos e reais ao mesmo tempo, sua linguagem é rica, incomparável. Toda a sensibilidade que aquela mulher possuiu se traduz em seus romances. Acredito que nem ela sabia como seus livros ajudaram e ajudam muita gente a ver a vida além do óbvio material.Não sei, talvez ela não conhecesse tantas mulheres como ela, uma pessoa ímpar.Ela é perita no ser humano e suas emoções.Brinca de estar gente, pois SER é um desafio delicioso que ela aborda em suas crônicas e livros.
Como Clarice inspira sem forçar a barra! Ela era sensível, comparava suas personagens com bichos, mas pra mim, tanto suas personagens e ela própria eram “gente demais”, isso sim. Clarice traduzia a alma do ser humano em palavras, com uma facilidade assustadora. Ela não viveu apenas uma vida, viveu várias... Acho que ela chorou muito mas sorriu mais ainda! É um exemplo de mulher, uma guerreira antes mesmo de nascer, foi e ainda é um mistério para alguns. Ela não foi linear, não foi mais uma que seguiu o comportamento bovino da grande massa, se destacou em muitos aspectos (vale à pena dar uma lida na sua biografia completa também). Clarice nasceu e esteve disposta a aprender a todo momento, não imagino atitude mais digna que essa.
Observando uma foto dela, reparei no seu olhar. Não apenas o formato dos olhos, grandes e gateados. Eu pude jurar, como na própria biografia dela menciona, que olhava para um gato persa. Sempre achei os gatos um tanto misteriosos, silenciosos e mais inteligentes do que parecem. Os gatos provocam uma ligeira desconfiança. E agora comparo uma musa da literatura com um bichano... Tenho que admitir, a semelhança é escancarada. Impossível ler o olhar da Clarice. Quando ainda jovem sustentava um ar mais delicado, porém misterioso. Em todas as fotos dela, já mais velha, esse mesmo olhar sofre uma sutil transformação. Ficou mais pesado, seguro e até desafiador. Imagino que nesse retrato mais madura ela devia ter na faixa dos 50 pra cima... Clarice, enfim estava decidida de si e tomara sua forma mais original e experiente, ao menos na maior parte do tempo, acho eu.
Observo que essa mudança no olhar ocorre com todos nós. Principalmente nas mulheres. Uma vez li uma crítica numa revista sobre mulheres que exageravam nas plásticas no rosto. Deram o exemplo de uma mulher que com quase 80 anos queria ostentar o mesmo rosto dos 20. A colunista então ironiza: “Uma mulher com rosto de moça e olhar de senhora”. É verdade, o olhar não há como disfarçar. Ele muda, amadure.
No mais, fica a dica para os livros dela. Vale a pena sempre!
sábado, 11 de dezembro de 2010
"Brincadeira de Detetives". (Um pedacinho da história).
Ela era uma criança pensativa, compenetrada com assuntos desinteressantes para seus coleguinhas da sua idade, quase uma adulta solitária. Simone não tinha oito anos, tinha trinta. Como menina que se descobria ser, era infantil, mimada e intolerante com as brincadeiras e peças, tão naturais, que a vida lhe pregava. Sentia-se uma vítima da solidão que aquele casarão, onde vivia, lhe trazia, apreciava os cantos das paredes brancas, recém pintadas, com ótica de artista, imaginava pessoas, mortes, nascimentos. Caminhava olhando para os pés e quando fingia olhar para frente, carregava o peso de uma vida inteira no olhar, apesar de ser apenas uma menina, das pernas levemente arqueadas. Era séria, verdade. Mas também ria e gostava de gargalhar. Simone pedia cócegas ao pai, lhe arrancava os cabelos brancos do peito, comia pão caseiro e tomava leite recém tirado da vaca. No seu íntimo, ela sabia que sabia demais. E isso a incomodava. Era uma sensação triste ter a consciência das suas ausências, principalmente quando conseguia prever o futuro, e isso, ela não ousava contar a ninguém. Nem mesmo pro seu irmão, Rodrigo. Rodrigo era um pouco mais velho que Simone, mas ela tinha uma intrigante sensação que ele sentia o vento forte, do sítio em que brincavam, com a intensidade certa e ela não. Ela o amava, profundamente. Admirava a calma dele depois do nervosismo, os desenhos que ele fazia tão diferente de todo mundo que ela conhecia, o carinho com que ele a protegia e a paciência. Simone almejava, com toda sua tolice e amargura, ser um dia, quem sabe, como ele.
Existia uma brincadeira que Simone e seu irmão faziam, chamada de detetive. Toda vez que eles pegavam os livros do pai e iam a procura de mistérios no casarão, Simone esquecia um pouco da sua dor e voltava a ser criança. Rodrigo conseguia espantar os medos dela, mostrava outro universo escondido entre as paredes altas do casarão, que não fossem os ecos dos pensamentos céticos ou a sensação agoniante da ausência da mãe. Para Simone, Rodrigo era um herói protetor, um menino de coração bom que a fazia matar a saudade do futuro que ela ainda não conhecia.
Existia uma brincadeira que Simone e seu irmão faziam, chamada de detetive. Toda vez que eles pegavam os livros do pai e iam a procura de mistérios no casarão, Simone esquecia um pouco da sua dor e voltava a ser criança. Rodrigo conseguia espantar os medos dela, mostrava outro universo escondido entre as paredes altas do casarão, que não fossem os ecos dos pensamentos céticos ou a sensação agoniante da ausência da mãe. Para Simone, Rodrigo era um herói protetor, um menino de coração bom que a fazia matar a saudade do futuro que ela ainda não conhecia.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Colorado, Versos e Ventos
Colorado, Versos e Ventos
Acho que o problema não é teu time,
Muito menos nossas diferenças,
Antes camufladas pela novidade.
Quem vai saber o motivo?
Da minha angustia ao dizer que também...
Quando apenas sigo teu roteiro.
Pela primeira vez me sinto segura,
Isso não quer dizer confortável, não.
Também tenho sentimentos.
Assim mesmo levo isso adiante,
Na esperança de tornar versos em ventos frios...
Daqueles que a gente sente na barriga quando ama.
(Data de criação: 20.12.2007)
Acho que o problema não é teu time,
Muito menos nossas diferenças,
Antes camufladas pela novidade.
Quem vai saber o motivo?
Da minha angustia ao dizer que também...
Quando apenas sigo teu roteiro.
Pela primeira vez me sinto segura,
Isso não quer dizer confortável, não.
Também tenho sentimentos.
Assim mesmo levo isso adiante,
Na esperança de tornar versos em ventos frios...
Daqueles que a gente sente na barriga quando ama.
(Data de criação: 20.12.2007)
sábado, 24 de julho de 2010
Solos de Guitarra
Solos de Guitarra
Há uns seis anos, talvez.
Quem se importa com as datas?
Queria apenas deixar um rastro no espaço.
Recordo do sorriso convencido, o boné preto, os conselhos e frases prontas.
Quando achava o cabelo dele engraçado e isso era o suficiente.
Ele dizia que "adorava no presente"...
Acabei por eternizar essa regra,
Fugindo das normas convencionais,
Querendo apenas o presente bem feito e nenhuma mentira a mais.
E ainda teve a fase do “quase”,
As vontades de adolescentes,
E os panos frios dos adultos, depois.
No ritmo sem melodia dos anos apressados,
As peças do tabuleiro estão mudando de lugar,
Hoje somos nós que ensaiamos na vida adulta e com metas vizinhas.(Quem diria?)
Então, pode tocar a música de novo,
Bateu uma curiosa saudade,
Boba...
Racionalizando os fatos,
Como atitude tão bem ensinada e automática,
Peço solos de guitarra, por favor.
Que agora é hora de escrever,
Garoto metido que nunca mais vi,
Por enquanto... Nem tanto!
Deixando claro que certas coisas não mudam.
Dessa vez eu confirmo no escuro,
Ainda te quero junto a mim.
Há uns seis anos, talvez.
Quem se importa com as datas?
Queria apenas deixar um rastro no espaço.
Recordo do sorriso convencido, o boné preto, os conselhos e frases prontas.
Quando achava o cabelo dele engraçado e isso era o suficiente.
Ele dizia que "adorava no presente"...
Acabei por eternizar essa regra,
Fugindo das normas convencionais,
Querendo apenas o presente bem feito e nenhuma mentira a mais.
E ainda teve a fase do “quase”,
As vontades de adolescentes,
E os panos frios dos adultos, depois.
No ritmo sem melodia dos anos apressados,
As peças do tabuleiro estão mudando de lugar,
Hoje somos nós que ensaiamos na vida adulta e com metas vizinhas.(Quem diria?)
Então, pode tocar a música de novo,
Bateu uma curiosa saudade,
Boba...
Racionalizando os fatos,
Como atitude tão bem ensinada e automática,
Peço solos de guitarra, por favor.
Que agora é hora de escrever,
Garoto metido que nunca mais vi,
Por enquanto... Nem tanto!
Deixando claro que certas coisas não mudam.
Dessa vez eu confirmo no escuro,
Ainda te quero junto a mim.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Escrever é como brincar.
Escrever pra quê?
Na infância as brincadeiras têm hora. Quando nos tornamos adultos elas viram bobagens. Sem precisar usar das mesmas da forma como foram um dia, brincar com as palavras é uma forma desnecessária de celebrar a maturidada, deixando os títulos pro final, tornando o viver mais colorido.
Justificativa Sem Título, é claro.
Deixo os clichês pro final,
Prefiro falar a verdade...
Não são nada pra mim!
Pra que escolher o tema,
Quando a vida surpreende
A quem não foge dela?
Tenho a fácil liberdade,
De brincar sem precisar da certeza,
Combinar sorrindo!
Inventando o término...
Escolho uma bobagem,
Quando encontro o título.
Na infância as brincadeiras têm hora. Quando nos tornamos adultos elas viram bobagens. Sem precisar usar das mesmas da forma como foram um dia, brincar com as palavras é uma forma desnecessária de celebrar a maturidada, deixando os títulos pro final, tornando o viver mais colorido.
Justificativa Sem Título, é claro.
Deixo os clichês pro final,
Prefiro falar a verdade...
Não são nada pra mim!
Pra que escolher o tema,
Quando a vida surpreende
A quem não foge dela?
Tenho a fácil liberdade,
De brincar sem precisar da certeza,
Combinar sorrindo!
Inventando o término...
Escolho uma bobagem,
Quando encontro o título.